A Cor da Rosa


Eu sei que não posso me queixar de nada, que a minha vida é boa demais, que eu consigo (quase) tudo que quero, que eu ganho (quase) todas as paradas que eu encaro, que eu não tenho problemas reais.

Talvez a imagem que eu passe para o mundo, com roupa de grife, carrão, cabelo de salão, profissão poderosa, seja a própria imagem do Winner.

Então porque é que eu tenho que me sentir tão fracassada, tão loser? Porque que é justo no que eu mais quero que eu sempre tenha que falhar?

Tá. Eu sou uma histérica. Mas qual mulher não é?



Escrito por Rosa às 10h47
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Cartinha Eletrônica:

 

A.,
hoje vivemos uma aventura policial-sem-polícia aqui na casa da minha mãe.
De manhã, ela e B. saíram de casa e deixaram o portão lateral interno aberto, trancando apenas o portão que dá para a rua. Quando retornaram, por volta das 11:30, viram que a bicicleta de asfalto do B. (a mais cara, coisa de no mínimo R$3.000,00) e o capacete haviam sumido.
Enquanto isso eu, do meu apartamento, ouvia a Catarina latir escandalosamente sem desconfiar de nada. Pensei que era chilique canino. Mas não dava para exigir de uma labradora gulosa mais que latidos. Ainda mais quando o ladrão a seduz com arroz e pedaços de frango (havia restos junto ao portão)...
Depois do almoço, passada a revolta e o susto inicial, sugeri ao B. que perguntássemos aos vizinhos se haviam visto algum suspeito pela rua hoje, pois o cara devia ter pedido a comida em alguma casa. Dito e feito: dois vizinhos disseram que um habituê/mendigo havia passado tocando campainha nas casas de manhã. O cara é conhecido como Cerezo e mora na favelinha que fica a uns 2km daqui.
Sabendo que a polícia limitar-se-ia a lavrar uma ocorrência, resolvemos investigar por nossa conta, in loco, antes de ir ao batalhão da PM.
Fomos no carro do B. (o meu chamaria atenção demais) até a rua vizinha da favela, onde há um bar. Lá, abordamos dois rapazes que tomavam uma cerveja e contamos a estória, complementando que estávamos dispostos a pagar R$300,00 por uma informação que nos levasse até a bike. Os rapazes disseram não conhecer nenhum Cerezo, mas que havia por lá um tal de Ivan (parece que é o mesmo cara, Cerezo seria apelido) que costuma praticar esse tipo de furto. Disseram que iriam procurar saber lá na favela e que já voltavam.
Enquanto isso, eu e meu irmão ficamos no bar, e pedimos uma cerveja, já que só nos restava relaxar.
Pouco depois os rapazes voltaram informando que o cara não estava em casa, mas a mãe dele disse que ele havia aparecido hoje com uma bike. O jeito era entrar na favela para checar...
Rezei uma Ave-Maria em silêncio e seguimos atrás dos caras. Depois de atravessar a favela (trajeto curto, graças a Deus!) chegamos à casa. A dona estava na porta, com uma cara de apavorada, segurando a bicicleta e o capacete. Ela pediu mil desculpas pelo ato do filho, disse que ele é um bêbado que vive aprontando e que estava rezando para achar o dono da bicicleta e poder devolvê-la.
Eu agradeci demais à senhora e aos rapazes - com direito a abraço e beijinho no rosto (B. até ficou meio abestalhado, meio sem ação), entreguei a ela R$100,00 e a eles R$130,00, tudo que eu tinha comigo. Disse que eles podiam vir em casa depois para buscar a diferença mas eles não quiseram, disseram que aquele dinheiro já estava bom demais e que, na verdade, nem precisariam de recompensa para nos ajudar.
Minha irmã disse que eu não devia ter dado nada à mãe do ladrão, que eu acabei por recompensá-lo indiretamente, mas eu senti honestidade na aflição e na vergonha dela. Fiquei com pena. Acho que foi um bom investimento.
Agora, portãozinho aberto nunca mais, nem durante saidinhas rápidas. E dá-lhe cerca elétrica!
Beijos,
R.


Escrito por Rosa às 20h41
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Comi bem, bebi também. Subi morro, desci morro, pulei cerca, pulei córrego, corri, peguei (muita) chuva. Li, dormi, joguei sinuca, conversei fiado.
Mas, carnaval? Não, obrigada.


Escrito por Rosa às 10h31
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Midas:

Tudo que eu toco vira merda.



Escrito por Rosa às 14h48
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